segunda-feira, 24 de maio de 2010
'
Até pensei que seria fácil me ausentar de você ou te ausentar de mim. Tanto faz no fim das contas. Mas, honestamente, eu me enganei. A psicanálise diz que há duas maneiras de matar alguém: fisicamente ou psicologicamente. A segunda possibilidade me causou um êxtase. Confesso que pensei ter encontrado uma solução pra tal caso de amor impossível, levemente inviável ou desastrado, quando ouvi isso. Bastaria te matar do modo indolor e sutil, sem te eliminar da vida, que você tanto ama. Bastaria te matar de mim. Me disseram que o processo era simples. Só precisaria eliminar tudo, sem exceção, dos seus restos que ficaram em mim. Música, foto, livro, poesia, carta, porta-retrato, sonho, cheiro, pó, segredo, endereço, telefone, nome. Tudo, exatamente tudo. Eu teria que perder a memória por você. Mas eu descobri que isso não poderia ser tão fácil. Há mais de você em mim do que eu supunha. Somos o paraíso um do outro e, juntos, somos nosso próprio paraíso. Particular.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário